Aquário, do Oscar Quiroga, hoje em Zero Hora:
A coerência nem sempre será virtuosa, porque se você eternamente agir de acordo com o que disse que iria fazer, então nunca mudará de ideia no meio do caminho, nem sequer quando isso seria o melhor a fazer.
Sábias palavras. Prezo muito a coerência, já falei disso aqui muitas vezes. Mas também sou metamorfose ambulante. Não tenho medo de mudar de ideia. E ficar em cima do muro também é uma escolha. Também gosto da contradição. E a minha maior contradição é querer ser coerente. Sou deveras radical, mas também flexível, taí, mais uma contradição e incoerência. Quer mais um exemplo: eu sou meio cética, mas leio horóscopos e acredito em signo, mapa astral. Tem muita coisa que bate, como o recadinho de hoje aí.
A verdade é que sou humana. Tenho lá minhas verdades e convicções. Sou uma mulher de palavra. O que digo e escrevo procuro cumprir. Por isso admito a minha total contradição. Eu busco a verdade, mas às vezes meio que deixo para lá, porque sei que nunca vou saber de fato o que aconteceu quando eu não estava lá. E o que eu souber será sobre meu ponto de vista. Adoro ter controle das coisas, não para manipular, mas para cuidar e até me defender. Informação até pode ser poder, mas para mim funciona mais como alívio, sensação de cuidado e aproximação da verdade.
Essas são minhas essências. O que me mantém coerente de que sou a mesma pessoa nesses 28 anos é que eu posso mudar de caminho, mas não mudo a essência. Apenas agrego experiências que me transformam e me dão novas ferramentas para encarar o mundo do jeito que eu penso, do jeito que eu sou.


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